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Morte Súbita – JK Rowling

Autor: JK Rowling
Editora: Nova Fronteira
Título Original: The Casual Vacancy

O vilarejo de Pagford é todo modificado quando um de seus conselheiros, Barry Fairbrother, morre. Barry lutava pelo bairro de Fields, um bairro pobre da cidade que os ricos queriam eliminar, junto com a clínica de reabilitação. Essa morte súbita do conselheiro deixa aberta uma cadeira que será muito disputada. Uma trama que mostra como um evento pode mudar a vida de todos, direta ou indiretamente.

Eu já li tantas resenhas desse livro – li e vi no youtube, aliás -, e percebi que era um livro que dividia opiniões: muita gente odiava, muita gente amava. Comecei a lê-lo com cautela e, devo admitir, que tive que me obrigar a passar pelas páginas iniciais numa leitura lenta, pouco engrenada e que, de algumas vezes, me fez ter vontade de jogar o livro longe. Só não fiz isso porque coloquei na minha cabeça que talvez o livro melhorasse, talvez o livro funcionasse. E funcionou.

Vamos falar da edição impecável que a editora fez. A capa do livro é uma delícia de se manusear. É uma capa emborrachada que dá vontade de ficar passando a mão nela o tempo inteiro. O livro conta com orelhas gigantes, que chegam a ser quase do tamanho das folhas. É impresso no papel mais confortável que se tem para ler – o melhor papel, acreditem. Resumindo, em termos de edição, um dos melhores do mercado e não há quem duvide disso.

Sobre a trama, Morte Súbita é dividida em núcleos e a história gira em torno desses núcleos.

  • Os Fairbrothers, razão do livro acontecer. Envolve o conselheiro morto, sua esposa e quatro filhos. Barry Fairbrother com certeza é o mais importante desse núcleo.
  • Os Wall, que abriga Collin Wall, o diretor do colégio que a maioria dos adolescentes estudam, Tessa Wall, a conselheira do colégio, uma psicóloga. Os dois tem um filho, o Stuart Wall, chamado carinhosamente de Bola.
  • As Bawden. Kay é mãe de Gaia e elas acabaram de se mudar para Pagford porque Kay começou a namorar Gavin, que incluirei nesse círculo.
  • Os Mollison. A típica família que “domina” uma cidade pequena. Howard é o presidente do conselho, casado com Shirley que tiveram dois filhos: Patricia e Miles. Miles é casado com Samantha e eles tem duas filhas que estudam em um colégio interno, logo, não ficamos sabendo deles.
  • Os Weedon. A família-problema que temos contato. Moradores de Fields, o bairro pobre, fazem parte desse núcleo Terri, mãe de Krystal e Robbin. Krystal é a menina problema, mas que Barry Fairbrother apoiava e apostava na menina.
  • Os Price.  Temos Simon e Ruth Price, casados e tiveram dois filhos: Paul e Andrew. Andrew é melhor amigo de Bola e se interessa por Gaia. Esse núcleo quase não participa da vida de Pagford.
  • Os Jawanda. São indianos e moram em Pagfords. Parminder é casada com Vrikam e tem três filhos. Parminder é uma das conselheiras distritais. Temos mais contato com a filha deles, a Sukhvinder, uma menina que não é tão inteligente quanto os irmãos, nem tão bonita. Sofre bullying no colégio, principalmente de Bola Wall.

O livro é dividido em sete partes e as sete partes são divididos em capítulos, capítulos esses que vão se revezando entre todos os núcleos familiares. As primeiras 200 páginas são páginas introdutórias, onde vamos conhecendo cada personagem, com seus medos, seus anseios e o que cada um realmente pensa atrás de todas as aparências e é por isso que as primeiras páginas são cansativas. A história realmente começa a andar quando, antes das eleições distritais que Collin Wall, Simon Price e Miles Mollison estão concorrendo, uma pessoa começa a publicar segredos no fórum do Conselho com o usuário intitulado “O_Fantasma_de_Barry_Fairbrother”.

Morte Súbita é um livro que vem mostrar que todos escondem segredos, que nem tudo é o que parece ser. Traz temas adultos como sexo e drogas, principalmente com os adolescentes se descobrindo. Há temas também como o racismo, o bullying, a dependência. Podemos falar que o tema central do livro é a fofoca, que faz toda a trama se desenrolar.

Depois que o livro pega um certo ritmo, você não vê as páginas passando. Conforme os capítulos vão pulando de núcleo para núcleo, você se acostuma e começa a torcer para poder ver mais um pouco da história pela visão de certa pessoa, de certo núcleo. Tem partes que vemos uma pessoa pensando certa coisa de um núcleo, e depois vemos o mesmo assunto pela visão de outros e vamos podendo criar nossas próprias visões do que é certo e o que é errado. JK Rowling, como sempre, criou personagens únicos e, ao mesmo tempo, genéricos. É impossível você não simpatizar com um deles ou ser ver como tal personagem.

O fim é… Surpreendente. Eu li um spoiler num vídeo de resenha do livro e não conseguia acreditar que aquilo ia acontecer (vi o spoiler ao acaso, aliás) e, quando eu cheguei e vi que aquilo era verdade, meu Deus. Eu… Olha.

Pegue esse livro por sua própria conta e risco. Saiba que não é nada igual a qualquer outro livro da autora, vá com a consciência que existem sim, temas pesados e adultos. Não recomendo o livro para um adolescente de doze anos que acabou de ler Harry Potter. Mas saiba que, depois das páginas iniciais, você não vai se arrepender. A escrita da autora mostra todas as angústias dos personagens, continua impecável e fluida.

Um ótimo livro que não me arrependo de ler. Quatro estrelas para ele, pecou só no começo, por demorar a engrenar a história de verdade, mas um ótimo livro, com certeza.

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