Uncategorized

A saga Lollapalooza e por que eu faria tudo isso de novo.

PAREM! Eu escrevo isso (começo, aliás) às 10:34. Meu voo pousou em Londrina exatamente uma hora atrás, vim pra casa, tomei um banho e vim aqui compartilhar o melhor dia da minha vida. Escrevei em capítulos para maior entendimento, haha.

Capítulo 1 – São Paulo

O dia começou cedo: 5:40 eu estava de pé para tomar banho e arrumar todas as coisas para sair e não esquecer nada. Carteira com identidade, cartão e dinheiro? Confere. Ingresso? Confere. Uma camiseta a mais? Confere. Tudo conferido, tudo checado, de banho tomado, All Star no pé, acordei minha mãe para me levar ao aeroporto. Meu voo saía as 8:05, mas ele deu uma atrasadinha. Minha mãe repetiu milhões de vezes: “Juízo, cuidado com a bolsa, toma bastante água e fica longe do sol”

Tá, mãe, to indo ver o Muse, vai dar tudo certo.

Tinha combinado de encontrar minha amiga no aeroporto porque ela saiu antes daqui de Londrina em outro voo, com conexão em Curitiba. O meu voo chegou às 9:10 em SP, o dela chegou 9:15. Se fosse combinado, não teria dado tão certo. Mas naquela hora eu tive a confirmação: Eu tava em São Paulo, eu ia pro Lollapalooza, eu ia ver o Muse!

Capítulo 2 – Shopping Morumbi

Nossa ideia inicial era ir pro Shopping Morumbi, passar a manhã lá de boa e depois pegar a linha 9 – Esmeralda do trem que era a que passava na estação Morumbi e na estação Interlagos. Eu tinha visto no site que daria como pegar um metrô na estação São Judas, ou na Conceição, e uma hora a gente ia parar lá, com todas as mudanças de trens e etc. Enfim. Chegamos lá de táxi, pegamos o bilhete e entramos. Perguntamos pro o cara que respondeu na maior má vontade: “Aqui vocês não vão chegar no Shopping NUNCA! Ô, TEM QUE PEGAR O ÔNIBUS”.

Merda. Já tínhamos pago o metrô, estávamos dentro e precisaríamos sair para pegar o ônibus porque eu não seguiria a minha intuição de estrangeira ali naquela cidade. Vai que fossemos parar lá na ponte que partiu? Saímos do metrô. O ônibus demorou quase meia hora pra chegar. Nisso já era mais de dez da manhã e queríamos sentar e descansar. Acabou que o ônibus pro Shopping Morumbi veio vazio e fomos sentadas (tenho até foto pra provar que éramos as únicas naquele ônibus além do motorista e do cobrador).

Chegamos no shopping, fomos andar. Almoçamos e, quando estávamos subindo pra ir tomar Starbucks, encontramos uma exposição de arte egípcia e história egípcia. Tinha uma esfinge lá. Tiramos foto fazendo a egípcia pro povo que ficou em Londrina aguentando a Exposição Agropecuária. Haha.

Capítulo 3 – A Ida

Tomamos nosso Starbucks e lá pela 13:10, a gente vira uma pra outra e fala: Vamos? Vamos. Fomos até a estação do Morumbi e entramos na fila da passagem. Nisso um cara da nossa frente, vira e fala no melhor sotaque cantadinho nordestino: “Vocês duas estão indo pro Lollapalooza?”. Bem, aquela frase nos garantiu uma companhia maravilhosa durante toda a ida e durante alguns shows no festival. O nome dele era Felipe. Pegamos o trem para ir pro Lolla depois que um passou lotado, esperamos o próximo que veio um pouco mais vazio.

Entramos no vagão e, socorro, quanto hipster num lugar só! Era gente de óculos a lá John Lenon, era gente de coroa de flor. Para saber como chegava no Lollapalooza, era só seguir os hipster. E foi o que fizemos.

Descemos na estação Autódromo e demos de cara com a maior ladeira que já subi na minha vida! Eu achei que de repente a força no pé ia acabar e eu ia voltar tudo rolando, de verdade. A tração do pé não acabou e finalmente chegamos. Então olhamos a fila e, socorro de novo! Aquela fila tinha fácil uns três quilômetros que andamos até o final para entrar. Finalmente, depois de muita ladeira, muita fila, estávamos dentro!

Capítulo 4 – Julian Casablanca

Estávamos dentro do festival, gritamos, pulamos e então chegamos a decisão: Ficaríamos o festival inteiro no Palco Skol, que era Phoenix, que o Felipe queria assistir, ia tocar, e o Muse também. Perderíamos então Imagine Dragons, mas ficou decidido assim e fomos até o palco Skol que ficava mais um quilometro de distância da entrada. UFA. Chegamos, sentamos. Decidiram ir mais para frente. Fomos. Lá não tinha como sentar. Ficamos de pé só no aguardo dele entrar. A banda dele é estranhíssima, porém toca bem pra caramba.

Julian eu só conhecia pelo The Strokes, que ele é vocalista, mas ele estava lá solo, cantou as músicas dele e uma ou duas do The Strokes. A galera pirou. Eu pirei junto. Pulava, gritava, “THANK YOU” “BRIGADA EU”. Foi um show divertidíssimo com Julian chapado, não falando coisa com coisa. Mas fazer o que? Era Lollapalooza, eu já tava ficando chapada de tanta fumaça de maconha para todos os lados. Vocês que fumam, só me respondam: Como vocês conseguem fazer isso no meio de um show? Vocês não pensam que tem gente em volta de você que talvez, mas só talvez, deteste o cheiro? Mas já tava na merda mesmo, na merda continuaríamos.

O show do Julian acabou e fomos nos enfiando na multidão pra conseguir o lugar mais próximo do palco possível. Matt, o vocalista do Muse, é baixinho, precisamos ficar perto e quem sabe ter a chance de passar a mão nele em Starlight porque ele desceria pra plateia, com toda certeza!

Capítulo 5 – Phoenix e quando o inferno começou

Vamos deixar claro que não estava tão apertado antes do show do Phoenix começar. Dava pra se mexer, virar, conversar. Tava apertado? Neeeh, tava, mas suportável. Ai o Phoenix entrou no palco e, oh meu Deus, eu vi a morte perto de mim. Aquele negócio foi com tudo pra frente que acho que se não tivesse um cara na minha frente eu tinha ido de boca no chão, ai de repente apertou dos lado, apertou atrás, o povo pulava e eu nem fazia esforço pra pular porque o cara na frente, atrás e dos lados estava pulando então por pura inércia meu corpo pulava também.

Jesus!

A gente já foi sentindo o gostinho do que seria o Muse. Eu já fui me arrependendo de tentar grade, porque as pessoas não entende que existem pessoas baixas (que nem eu) que não enxergam se pessoas com mais de 1,70 ficarem  na frente. Acho que show devia ter lugar marcado de acordo com a altura, os mais baixos na frente, os mais altos atrás, assim todo mundo assistiria o show sem maiores preocupações.

Ai o cara do Phoenix correu no meio do show, ai depois ele se jogou na galera da frente, depois correu de volta  no meio da plateia de repente, quando eu vi, ele tava com a bunda quase na minha mão surfando pela galera. Pois é, gente eu quase peguei na bunda do vocalista do Phoenix que eu nunca tinha escutado uma música. Chora, recalque! Então o show acabou e, oh meu Deus, o inferno na Terra que já tinha começado, conseguiu ficar pior.

Capítulo 6 – Pré-show Muse

O show do Phoenix acabou e de repente, todo mundo de trás começou a empurrar pra frente, de um jeito descomunal, e sem necessidade, porque ainda tinha duas horas e meia de espera para começar Muse. No vuco  vuco, eu me vi num canto, Gabriella no outro e pensei: “Bem, nos encontraremos depois”. Aquela multidão foi se multiplicando, o povo empurrava pra frente, os de frente empurravam pra trás, os do lado queriam chegar na grade lateral (pra onde eu fui empurrada, aliás) para conseguir pegar no Matt quando ele passasse por ali. Resumindo, aquilo virou uma loucura. Pisotearam toda a grama. Resultado? Muita lama, muito empurra empurra e uns 30 negos num m².

Ai começou a loucura de verdade. Era gente desmaiando, era gente gritando por água, a gente gritava pro povo dar um passinho pro lado e parar de empurrar. Eu comecei a ter um ataque de pânico, mas, porra, eu tinha passado por tudo aquilo pra desistir naquela hora? Não! Fiquei lá, o povo empurrando, fiz barraco  com uma menina que fingiu passar mal, ai na hora que os bombeiros vieram tirar ela, ela falou que tava tudo bem, pegou uma água gelada de graça e ficou no meu lugar como se tivesse tudo bem e tudo certo. Tentei convencer o povo a fingir que estávamos no prézinho e “GENTE, DÁ UM BRACINHO DE DISTÂNCIA”, mas nada adiantou. A gente já tava fazendo um movimento de pêndulo: o povo empurrava pra frente, a gente ia pra frente, o povo empurrava pra trás, a gente ia pra trás. Me espremendo, consegui pegar meu celular, tinha várias mensagens da Gabriella: “Onde cê tá?” “Passei mal sai da muvuca” “To aqui do lado direito perto do telão e aqui ta PERFEITO DE ASSISTIR”.

Então era isso, era só intensificar o ataque de pânico, o cara me tiraria dali e eu iria assistir o show maravilhoso sem muvuca. Ai eu realmente tive um ataque de pânico fodido. Eu comecei a tremer de um jeito que eu não conseguia parar, eu puxava o ar e parecia que nada ia pro pulmão, eu gritei e o cara que tava do meu lado já chamou o bombeiro. Eu, bamba, me colocaram de pé no meio das duas pistas e se a moça não tivesse já segurando minha mão e perguntando se eu tava bem, eu tinha desmaiado ali mesmo. Falei que tava bem, que eu só precisava tomar um ar, tomar uma água e encontrar minha amiga que também tinha passado mal. Depois de muito procurar, encontrei Gabriella enfiada no canto do palco, e a gente tinha espaço pra pular, abrir os braços, gritar, chorar, espernear, tudo! Era ali! Eu ia assistir Muse e eu ia ver o Matt ali!

Capítulo 7 – O SHOW!  (MATT, CHRIS E DOM:  ME COMEEE!)

Ok, depois de ter saído da muvuca, ainda fiquei sentada uns vinte minutinhos antes de começar o show. E na hora que começou, acho que deixei meu útero por lá. Eles começaram com New Born que é uma das minhas músicas favoritas e naquela hora eu só pensava: “To aqui em São Paulo vendo Muse tocar New Born e ta perfeito, eu já posso morrer”. Apesar de algumas desafinações do Matt, quase imperceptíveis porque ele deixava as partes com notas mais altas pro povo cantar, o show foi maravilhoso, perfeito. O cara que acompanha Muse desde sempre amou esse show. Tocaram vários hits deles para celebrarem os 20 anos da banda.

Tocaram até Nirvana, Lithium, a primeira música que eles tocaram ao vivo pra uma plateia.

Eu acho que perdi tudo naquele show: pé, joelho, voz. Minha voz ta só que piora, daqui a pouco vou estar tipo aqueles bonequinhos que você apertava e saia som, sabe? De criança? To assim quase.

New Born já emendou com Agitaded, que eu tinha certeza que teria, e foi emendando hits atrás de hits, Butterflies and Hurricanes com Matt no piano fez a galera toda levantar o braço e imitar como se tivesse tocando o piano junto com ele, Starlight levou todo mundo a loucura quando ele desceu do palco (inclusive eu, que fiquei dois metros do Matt), Liquid State fez todas as fangirls do Chris surtarem (tipo eu), gritando e chorando porque o Chris é maravilhoso e a voz dele é maravilhosa. Emendou Starlight com Time Is Running Out e naquela hora eu achei que ia perder permanentemente a voz porque eu gritei tanto a letra que vocês não fazem ideia. Não tirei muitas fotos, nem gravei muitos vídeos, estava mais em fechar os olhos nos solos pra sentir cada nota da guitarra entrar em mim, pular com a galera e cantar o mais alto possível porque a minha banda favorita estava na minha frente e eu estava realizando um sonho.

Matt quebrou a guitarra – e o piano. Chris jogou a gaita dele que ele usa antes de Uprising pra galera e depois Dominic jogou as baquetas dele. Matt me decepcionou ao não aparecer usando ou a calça vermelha ou a jaqueta vermelha. Plug in Baby me fez confundir todas as letras e cantei tudo errado mesmo, rindo da minha  babaquice porque aquela música me faz perder o rumo da vida, Hysteria foi maravilhosa. E quando eles terminaram Knights of Cydonia prometendo que voltariam todos os anos, a primeira coisa que passou na minha cabeça foi: “E eu vou em  todos!”

Ou seja, só de ter me arrepiado nos primeiros acordes de New Born, tudo o que eu tinha passado tinha valido a pena já. Todos os quilômetros andados, toda a apertação, o tênis sujo de barro, as queimaduras de sol que ficaram no meu rosto – nem tantas, mas estão ali de qualquer jeito.  Eu tremia tanto e gritava tanto. Eu chorava e cantava todas as letras emendadas, em Madness pari vários filinhos e meu Deus do céu eu preciso de outro, eu preciso de novo! Estavam maravilhosos ao vivo, estavam perfeitos, todos eles, não tinha nada de errado. E aquele palco Skol lotou. Era lindo ouvir as palmas sincronizadas, os braços erguidos, todo  mundo vibrando com tudo o que acontecia naquele palco. É indescritível. A gente tenta, mas nada vai passar o mesmo sentimento do que estar lá e gritar “THEY WILL NOT FORCE US, THEY WILL STOP DEGRADING US, THEY WILL NOT CONTROL US, WE WILL BE VICTORIOOOOUS”

Apenas isso que digo, vocês tem que passar pelo sentimento de estar assistindo à sua banda favorita para saber o que foi aquele show do Muse. Maravilhoso.

Capítulo 8 – Ir embora e ainda não ter dormido

Aquilo virou uma muvuca para conseguir passar. A ladeira ficou lotada de galera ainda em êxtase por causa dos shows. A gente ia, pé depois de pé, já sentindo o pé pedir clemência, até a estação. Lá foi um parto conseguir entrar, mas o trem estava vazio. Descemos na Morumbi e de lá pegamos um táxi para Congonhas. Chegamos, nos enfiamos no banheiro e fomos lavar todo o barro da nossa perna, passar um desodorante e ficar minimamente confortável pra se jogar no chão do aeroporto e dormir ali mesmo.

Gabriella deitou, virou e dormiu. Eu não, fiquei lá, sem conseguir pregar o olho. “Cochilei” dez minutinhos e depois foi só isso. Tinha feito o mesmo efeito que se eu dormisse cinco horas e tomado várias xícaras de café. Ainda estava elétrica com o show, e ainda tinha feito uma playlist com as músicas do show, então coloquei aquilo pra tocar e fiquei na internet até umas seis, quando ela acordou, tomamos café e ficamos esperando o avião.

Agora to em casa, depois de tomar banho, ainda sem conseguir dormir, ainda lembrando de cada detalhe do show. Tenho medo de que se dormir, eu esqueça tudo o que passei. Não quero. O dia foi o melhor dia da minha vida.

E faria tudo de novo.

Ah, e dica: ouçam sua mãe. Eu não passei protetor solar e nem bebi tanta água. Resultado foi uma insolação no aeroporto que devo ter acabado com o estoque de água daquele lugar. E ainda me sinto totalmente febril e desidratada. Shit happens.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s